sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Síndrome da Cefaléia Cervicogênica ( ARTIGO)

Nas condições normais, a coluna cervical é orientada
verticalmente no plano frontal e mostra uma discreta
convexidade anterior. O crânio é conectado à coluna
pelas superfícies articulares dos côndilos do occipital e
das superfícies articulares do atlas. A posição da cabeça
é mantida por numerosos músculos localizados anterior
e posteriormente em relação à coluna.Músculos anteriores podem conectar indiretamente a mandíbula com
o esterno e a clavícula por inserção no osso hióide. O
baricentro do crânio é localizado aproximadamente na
sela túrcica, sendo, com isso, anterior aos côndilos do
occipital. A força de gravidade é contrabalaçada
posteriormente pelos músculos da nuca que são mais
potentes. Uma freqüente causa de alteração na postura da cabeça e do pescoço é a falha nos músculos posteriores. A curvatura normal é perdida ou invertida. Com o tempo ocorre degeneração artrótica.
O estresse pode levar à contratura muscular e à alteração
funcional. A relativa distorção do hióide pode resultar
em alteração da postura da mandíbula.
O mau alinhamento dos ombros também é uma
alteração freqüente. Pode ser por diferença no comprimento
das pernas e conseqüente desalinhamento da
coluna. Eventualmente, os causadores são os maus
hábitos posturais. A necessidade de manter a linha bipupilar horizontal leva ao desvio do pescoço e dos  ombros. Tal situação provoca maior esforço dos músculos
cervicais, particularmente do esternocleidomastóideo e do trapézio.
Alterações da curvatura das vértebras superpõem-se
à má postura dos ombros. A constante mudança da
atividade e o estiramento muscular, bem como da orientação
corporal, levam à sobrecarga e ao aparecimento
de pontos dolorosos e sensação de aperto. Esses pontos
dolorosos podem diferenciar a cefaléia cervicogênica
primária da enxaqueca e da cefaléia tipo tensão.
A busca de quadros de cervicalgia secundária a
diversas patologias provenientes das desordens craniomandibulares
e temporomandibulares é antiga.
Os traumatismos de coluna  são freqüentes
atualmente e têm sido implicados na gênese
de cefaléia em grande contingente de pacientes.
O termo cefaléia cervicogênica foi introduzido por
Sjaastad et al.4 em 1983 como uma hipótese.
A Classificação e os Critérios Diagnósticos das
Cefaléias, Nevralgias Cranianas e Dor Facial, proposta
em 1988 pelo Comitê de Classificação das Cefaléias
da Sociedade Internacional de Cefaléia (IHS)5,
contempla quadro de dor cervical, secundária, , coluna cervical, e, , tendinite retrofaríngea.
A expressão sintomatológica dessa controversa
síndrome, a cefaléia cervicogênica, ainda não permite
ser estabelecida como quadro primário ou secundário.
Ainda faltam investigações mais precisas que permitam
verificar os supostos aspectos centrais da síndrome.
Há várias evidências de que anormalidades nas
estruturas somáticas e viscerais da região cervical
podem ser sede de dor referida ao crânio e à face. A estimulação do componente sensitivo de
C1 acarreta dor orbitofrontal e no vértex. A irritação
de C2 e a estimulação dos nervos occipitais geram dor
na porção posterior do segmento cefálico. A dor unilateral
ipsilateral da cabeça e do braço sem desvio ao
repouso indica uma doença orgânica. A redução do
grau de movimento no pescoço é típica, mas não especifica
síndrome de cefaléia cervicogênica.

Sinais e sintomas maiores
 
I- Sintomas e sinais de envolvimento cervical:
a) precipitação da dor cervical semelhante à espontânea
por:
1. movimento do pescoço ou sustentação desajeitada
da cabeça;
2. pressão externa da região cervical posterior e
superior ipsilateral ou da região occipital;
b) redução da movimentação cervical habitual;
c) dor na mão, ombro e pescoço ipsilateral, de natureza
vaga e não-radicular, ou ocasionalmente dor
no braço de natureza radicular.
II- Alívio completo ou quase completo (> 90%) da
dor após o bloqueio anestésico do nervo grande
occipital e/ou da raiz C2 no lado sintomático.
III- Unilateralidade da dor sem mudança de lado,
podendo ocorrer o quadro em qualquer um dos
lados.
IV- Características da dor:
a) moderada, não-excruciante, geralmente de natureza
não-pulsátil, começando no pescoço e espalhando-
se para as áreas oculofrontotemporal,
onde, em geral, é máxima;
b) duração variável (horas) ou dor contínua flutuante;
V- Outras características de alguma importância:
a) melhora eventual com tratamento preventivo
com indometacina;
b) melhora eventual da crise com uso de ergotamina
ou de sumatriptano;
c) preponderância no sexo feminino;
d) história de trauma craniano ou cervical (whiplash).
VI- Características de pouca importância:
a) náusea;
b) fonofobia e fotofobia;
c) vertigens;
d) alteração visual ipsilateral;
e) dificuldades de deglutição;
f) edema e hiperemia na área periocular ipsilateral.

Tratamento

Os pacientes com síndrome de cefaléia cervicogênica
trazem um desafio, tanto para o estabelecimento
de um diagnóstico preciso como para orientar os
possíveis tratamentos. Muitas vezes há dificuldade em
diferenciá-la da enxaqueca sem aura e da cefaléia tipo
tensão, as quais são tratadas com esquemas que não
beneficiam a cefaléia cervicogênica.
Uma vez preenchidos os critérios do diagnóstico,
diversos tratamentos para a síndrome de cefaléia
cervicogênica têm sido propostos, com predomínio
de intervenções invasivas, tais como estimulação
transcutânea, anestesia local repetida, descompressão,
secção e/ou avulsão do nervo grande occipital e do
nervo occipital menor, bem como de raízes e gânglios
cervicais, estabilização e/ou fusões vertebrais,
radiofreqüência de discos intervertebrais e de nervos
cervicais e estimulação epidural. Esses tratamentos
invasivos tentam diminuir a aferência periférica dos
impulsos dolorosos. A aplicação de toxina botulínica
pode trazer alívio ao paciente por tempo limitado,
porém pode agravar os distúrbios posturais (experiência
do autor, em um caso tratado).
Como propostas não-invasivas têm-se a fisioterapia.

Fisioterapia
 
A fisioterapia pode melhorar os hábitos posturais,
amplificar e adequar os movimentos. Quanto à dor,
se houver benefício, em geral é pequeno e por tempo
limitado.
Ainda faltam investigações mais precisas que
permitam verificar os aspectos centrais dessa síndrome,
principalmente o neuroquímico, o que levaria
a novas propostas de tratamento clínico.



FONTE:  Rev. Neurociências 9(2): 57-59, 2001/ Deusvenir de Souza Carvalho

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

AVE ( Acidente Vascular Encefálico) & Plasticidade Neural




O Acidente Vascular Encefálico ( AVE) que popularmente é conhecido como Derrame Cerebral é definido como qualquer processo patológico que comprometa o fluxo sanguíneo vascular para uma aréa distinta do cérebro. Pode ser classificado em hemorrágico  que é quando há uma ruptura de alguma artéria cerebral com extravasamento de sangue que tem como principais causas à mà formação arteriovenosa ( MAV) e o isquêmico caracterizado pela diminuição de fluxo sanguíneo provocada principalmente por obstruções ( trombo , embolos entre outros.)

                                                             processo de embolização



Classificação  quanto a topografia:

Encontramos  o AVC do sistema carótideo ( maior porcentagem do AVE) e AVE do sistema vertebro-basilar.

Classificação ao caráter evolutivo da clínica:

Ataque Isquêmico Transitório ( déficit neurologico focal durando menos que 24 horas),Déficit Neurológico Isquêmico Reversível ( para sintomas que ultrapassem 24 horas e se resolvam em 3 semanas) e por ultimo Acidente Vascular Cerebral Concluído ( o AVE propriamente dito).

Fatores de Risco

  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Doença Cardíaca
  • Tabagismo
  • Hiperlipidemia
  • Sedentarismo
  • Obesidade
  • Estresse
  • Contraceptivo orais
  • Historia familiar de AVE
Manifestações Clínicas:  vem acompanhadas de deficiência motora ,hemiplegia ( fase flácida e espástica),hemiparesia,deficiência sensorial, alteraçõs das reações  e reflexos de endireitamento e equilíbrio e proteção , entre outros.Manifestações secundárias: contraturas e deformidades,dor,depressão,incontinência urinária, constipação intestinal, luxação de ombro, entre outros)

Ombro do hemiplégico  ocorre na fase flácida que é quando ocorre a interrupção de algum fator biomecânico que contribui para instabilidade da articulção glenoumeral.


Avaliação Neurológica


Estado mental (Mini exame do estado mental),padrões posturais patológicos,ROT e Reflexos patólogicos,tonus muscular ( escala de Ashworth ),avaliação sensitiva ,coordenação e equilíbrio  entre outros.

Tratamento Fisioterapêutico

  •  Minimizar os efeitos das anormalidades de tônus
  • Manter uma ADM normal e impedir deformidades
  • Melhorar as funções respiratórias e oromotoras
  • Mobilizar o paciente nas atividades funcionais  iniciais
  • Melhorar o controle de tronco e equilibrio
  • Indicação de órtese
  • Orientar quanto a prática de uma atividade física ( se indicada)
  • Alcançar o nível máximo de independência
  • outros







                          PLASTICIDADE NEURAL








Plasticidade cerebral / neural é a denominação das capacidades adaptativas do SNC e sua habilidade para modificar sua organização estrutural própria e  funcionamento a estímulos repetidos.Existem variáveis importantes no sentido de entender o potencial para a recuperação funcional após lesão: ( idade do indivíduo,local e tempo da lesão e extensão da lesão) é que determina a plasticidade.Podemos encontrar várias teorias sobre como se dá a recuperação das funções perdidas em uma lesão cerebral, através de estratégias motoras diferentes para realizar uma atividade que  esteja perdida,a plasticidade é mediado por proliferação de sinapses e brotamento axonal e se propagam sobre os campos proximos entre 4 a 5 dias após a lesão.A Fisioterapia contribui na facilitação a aquisição e  refinamento de habilidades de locomoção e movimentos posturais,todas elas englobando o favorecimento de experiências sensório-motoras,prevenção e  minimização de deformidades,integração de aspectos cognitivos e comportamentais do aprendizado motor e educação do indivíduo ,família e outros profissionais da saúde.









quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Governo anuncia inclusão de duas novas vacinas no calendário infantil .

Uma é a pentavalente, que combina a atual tetravalente com a vacina contra hepatite B. A outra é a vacina injetável contra a poliomielite. Objetivo é diminuir o número de aplicações de vacinas e aumentar a segurança.

Foram anunciadas, nesta quarta-feira (18), mudanças no calendário de vacinação das crianças para o segundo semestre. O objetivo é diminuir o número de aplicações de vacinas e aumentar a segurança, no caso da poliomielite. Mas até lá, a recomendação do Ministério da Saúde é de que os pais sigam o calendário atual.
Duas novas vacinas serão incorporadas ao calendário de vacinação de rotina a partir de agosto.
Uma delas é a pentavalente, que combina a atual tetravalente - contra difteria, tétano, coqueluche e meningite bacteriana, com a vacina contra a hepatite B.
Ela será produzida em parceria entre a fundação Osvaldo Cruz e o Instituto Butantã. Segundo o Ministério da Saúde, a nova vacina vai trazer economia para o governo e menos dor para as crianças. “Reduz dor porque reduz picadas. São cinco doenças em uma vacina só”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A outra novidade é a introdução da vacina injetável contra a poliomielite. Ela é produzida com vírus inativado e dá 100% de proteção contra a doença. A vacina oral, em gotas, encontrada atualmente nos postos de saúde e aplicada durante as campanhas, tem o vírus ativo atenuado. Ela oferece um risco mínimo: uma criança em até 4 milhões que recebem as gotinhas pode desenvolver a pólio.
O Ministério da Saúde diz que a aplicação da vacina inativada contra a poliomielite não acaba com a campanha nacional de imunização, aquela das gotinhas, que têm o vírus ativado. A duas serão ministradas paralelamente. Mas o ministério esclarece que a nova vacina, que é injetável, só será usada em recém-nascidos, que estão iniciando o calendário de vacinação.
O calendário de vacinação contra a pólio vai ficar assim: aos 2 e 4 meses, doses injetáveis; aos 6 e 15 meses, doses orais; e a partir daí até os 5 anos de idade, a criança deverá tomar as doses de reforço da vacina oral, nas campanhas do Zé Gotinha.
No Brasil, a pólio é considerada erradicada desde 1994. Nos últimos 20 anos, houve apenas 46 casos notificados da doença. Com a vacina injetável, o país colabora com a luta para erradicar a pólio no mundo.
“A vacina inativada vai dar uma proteção mais duradoura e, com isso, o Brasil segue junto com a Organização Mundial de Saúde na tentativa de erradicação da poliomielite”, explica Claudia Valente, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações do DF.






 Fonte :http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/01/governo-anuncia-inclusao-de-duas-novas-vacinas-no-calendario-infantil.html  acessado em 18/01/12