quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Toxicidade pelo O2


APRESENTAÇÃO
•      Gás inalante.

INDICAÇÕES
•      Coadjuvante na anestesia geral, utilizado como diluente para outros gases ou fármacos voláteis.
•      Oxigenoterapia em condições de hipoxemia.
•      Redução da pressão parcial de nitrogênio em embolia gasosa, pneumotórax, obstrução intestinal.
•      Oxigenação hiperbárica.

CONTRA-INDICAÇÕES
•      Altas concentrações de O2 devem ser evitadas em pacientes cuja respiração é dependente de CO2, uma vez que a oxigenação reduz a pressão parcial de dióxido de carbono, e depressão respiratória pode acontecer.

PRECAUÇÕES
•      Altas concentrações de O2 no ar inspirado (maiores de 80%) produzem toxicidade e, acima disto, a toxicidade do O2 será proporcional à concentração e ao tempo de duração da exposição.
•      É necessária umidificação do Oxigênio no momento de administração.
•      Dispositivos de oxigenação devem passar por adequadas técnicas de esterilização e desinfecção.
•      As válvulas do cilindro de Oxigênio não devem ser engraxadas, e a manipulação dos cilindros exige cuidados com fogo, pois há risco de explosão.
•      O uso de Oxigênio suplementar em neonatos é controverso.

ESQUEMAS DE ADMINISTRAÇÃO
•      O Oxigênio pode ser administrado por meio de sistemas que aumentem sua concentração no ar inspirado e aparelhos de respiração artificial.
•      A dose de Oxigênio é expressa em litros por minuto ou percentagem e deve ser ajustada às necessidades de cada paciente.
•      Quando a administração contínua for indicada, as menores concentrações possíveis devem ser empregadas.
•      A concentração de Oxigênio nos gases anestésicos inspirados nunca deve ser menor que 21%.

ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS CLINICAMENTE RELEVANTES
•      A pressão de O2 no ar inspirado dilui-se como vapor de água e CO2, correspondendo a 105 mmHg no alvéolo, nível que rapidamente é igualado, por difusão simples, no sangue. O2 liga-se ao componente heme da hemoglobina em quantidade proporcional à pressão parcial de O2 no sangue arterial e o gradiente de concentração determina, por fim, a liberação de O2 para os tecidos.

EFEITOS ADVERSOS
•      Toxicidade pulmonar, hemorragia pulmonar, espessamento do septo alveolar.
•      Depressão respiratória, narcose carbônica.
•      Irritação do trato respiratório (tosse, ressecamento das mucosas, obstrução nasal, dor de garganta e desconforto subesternal).
•      Retinopatia da prematuridade (fibroplasia retrolental) em recém-nascidos mantidos em altas saturações de Oxigênio.
•      Alcalose metabólica.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
•      Bleomicina pode induzir toxicidade pulmonar grave em pacientes expostos a concentrações de O2 durante anestesia.

PERIGOS DO  O2
Em geral a oxigenoterapia é bem tolerada, mas há certos perigos associados com a mesma:
* Toxicidade por Oxigênio: como resultado do processo do metabolismo do oxigênio produzem-se radicais
livres com grande capacidade para reacionar químicamente com o tecido pulmonar. Estes radicais são tóxicos para as células da árvore traqueobronquial, assim como também o alvéolo pulmonar. Com altas concentrações de O2 ocorre destruição oxidativa do tecido pulmonar e isto se manifesta de maneira aguda com uma irritação traqueobronquial com desordem da atividade dos cílios do epitélio respiratório e com diminuição da capacidade vital secundária ao edema presente e ás atelectasias por reabsorção. Se o contato continua, os capilares começam a suar. Isto se acompanha de hemorragia intraalveolar com produção de edema alveolar com diminuição da função das células tipo II, produtoras da substância tensoativa do pulmão.